Arquivo para a categoria 'Ensaios'

13
out
11

À mercê das circunstâncias

Os indicadores sociais revelam: a expectativa de vida no Brasil tem aumentado. Por isso, mais do que nunca é necessário que se olhe atentamente para os idosos brasileiros.

De acordo com Maria Helena Novaes (1997), envelhecer é perder-se a si mesmo. Como se não bastassem dificuldades físicas e psicológicas, é comum se deparar também com complicações sociais, sendo estas caracterizadas, principalmente, pela diminuição da capacidade de relacionar-se com o outro (BUMPASS, 1991 citado por BALTES; SILVERBERG, 1995).

A velhice é o tema de uma série de fotos que produzi enquanto cursava Jornalismo. Das pessoas que retratei, cinco, em especial, me chocaram e atormentaram por dias a fio. Destas, é difícil eleger a expressão mais forte. Seja pela inclinação da cabeça, pelo olhar ou pela falta de cuidados pessoais, cada um desses idosos parece ter estacionado o fôlego de vida em algum lugar do passado. Com ele, creio que enterraram tudo aquilo que os faziam sentir e viver. Hoje só existem. Hoje estão apenas à mercê das circunstâncias.

Alheamento e descaso

Referências bibliográficas

BALTES, Margret; SILVERBERG, Susan. A dinâmica dependência-autonomia no curso de vida. In: NERI, Anita Liberalesso (org.). Psicologia do envelhecimento: temas selecionados na perspectiva de curso de vida. Campinas, SP: Papirus, 1995. 276 p.

NOVAES, Maria Helena. Psicologia da terceira idade: conquistas possíveis e rupturas necessárias. 2.ed. -. Paulo de Frontin: NAU, 1997. 167 p.

 

As cinco fotografias que compõem o ensaio fotográfico À mercê das circunstâncias estão expostas na Mostra UMA, que é promovida anualmente pela Universidade Positivo.

A 6ª edição da mostra estará aberta ao público até o dia 17/10, na Sala de Eventos do Prédio de Pós-Graduação. Não deixe de conferir!

16
fev
11

Retratar é viver?

Viver é amar e odiar. Viver é insistir no mesmo erro, seja ele uma pessoa ou um simples capricho. Viver é arriscar e ponderar, errar e acertar, cair e levantar. Viver é uma escolha que fazemos diariamente. Retratar a vida é uma paixão que muitos de nós decidimos nutrir. É, portanto, a minha escolha, a minha paixão.

O mecanismo e o formato não importam. Escrever, fotografar, representar através de cenas ou sequências. A essência de um bom retrato é sempre a mesma. Tanto uma foto quanto um texto podem chocar, emocionar, ridicularizar ou enaltecer.

Acredito piamente que viver é, acima de tudo, ver-se nos olhos dos outros.  Para isso, é preciso sentir o outro, se colocar no lugar dele. Retratar vidas foi a maneira que escolhi para atingir esse objetivo.

Nesse blog, retratarei pessoas e tudo que as envolvem. Trarei tanto trabalhos antigos – desde que atuais, logicamente – quanto textos recém saídos do forno. Seja bem-vindo (a)!

Viver é acumular retratos. Por isso, retratar é viver!

 

Fotografia: uma de minhas paixões




Raphael Moroz (o bloggeiro)

Jornalista (por formação) apaixonado por cinema, televisão, literatura e fotografia. E por pessoas, de todas as cores, tamanhos e nacionalidades.

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