Página de arquivo 2

12
mar
11

Para sentir

O que é poesia pra você? Pra mim, é sentimento. A proposta de um trabalho que fiz para a faculdade no ano passado era representar a palavra poesia através de seis fotografias. Para isso, escolhi seis pessoas e seis sentimentos. Eis aí o resultado!

10
mar
11

“No meio do caminho, tinha uma pedra”

Não há como fugir dos problemas. Por mais que o caminho pareça tranquilo, sempre nos deparamos com pedras – de todos os tipos e tamanhos. Algumas já são visíveis de longe, e, por isso, podem ser contornadas. Outras são praticamente invisíveis, mas causam tombos desastrosos.

Certa vez, a personagem de uma reportagem que produzi para o curso de Jornalismo me alertou sobre pedras no caminho. Com uma alegria contagiante e uma energia que se percebia há quilômetros de distância, ela me disse que, por trás de cada conquista valiosa, há uma trajetória dura de trabalho e perseverança. O conselho não saiu mais da minha cabeça. A cada decepção, lembro dele. A cada vitória, também.

A verdade é que os problemas estão aí para nos beneficiar. Depois de um, dois, três tombos, não somos mais os mesmos. Nos transformamos em seres humanos melhores, mais evoluídos. Além disso, o acúmulo de tombos faz com que criemos uma resistência dentro de nós. Um mecanismo poderoso, que, depois de cada entrave, nos impulsiona ainda mais a vencer. Até porque, cá entre nós, nenhuma conquista teria graça se não existissem as famosas pedras no caminho.

06
mar
11

Mudar é viver

Assim que cheguei, percebi: o portão havia mudado de cor e tamanho. Não era mais vermelho, e havia crescido um bocado. Segundo os meus avôs, a decisão foi uma medida de segurança. Hoje em dia, portão alto é o requisito mínimo para proteger uma casa dos perigos da modernidade.

O portão mudou, como mudamos todos. Na época em que minha mãe e meus tios não tinham mais do que um metro de altura, era bege, apagado. Anos depois – vestido de vermelho – ele observou de perto as invenções de quatro crianças unidas pelo parentesco e pela imaginação fértil. Imaginação essa que pregava que a casa da vó podia ser tudo – cenário de filme, cidade e até pista de corrida – menos a casa da vó.

Com o cessar das gritarias e aventuras radicais, o portão passou a ter função de – pasmem! – portão. Quando os adolescentes resolviam dar uma passada na casa dos velhos, ele os acolhia de braços abertos. Quando saíam – depois de visitas cada vez mais rápidas – se despedia timidamente.

Hoje mal os vê. E quando os vê, estão acompanhados de outras pessoas. Não são mais só os quatro. Agora são seis, oito, e se organizam em pares. “É a idade”, diz a vó. E é mesmo. Se ela não voasse, não haveria sequer uma lembrança do tempo em que a vida era mais feliz porque passávamos as férias na casa do portão vermelho.

27
fev
11

As três (ou quatro) semelhanças

Hoje é dia de celebrar a sétima arte. Em 2011, mais do que nunca, a variedade de filmes brilhantes é grande, e, com isso, a disputa torna-se acirrada. Neste domingo, no entanto, chamo a atenção para duas das produções que encabeçam a lista de indicados para a categoria de melhor filme: Cisne Negro, de Darren Aronofsky e O discurso do rei, de Tom Hooper.

Entre um e outro, há significativas diferenças técnicas. Além disso, as épocas são completamente distintas, assim como os cenários e as histórias. Mesmo assim, estes dois filmes – fabulosos cada um à sua maneira – podem ser perfeitamente relacionados.

A primeira – e mais gritante – semelhança diz respeito aos seus protagonistas. Por mais que o príncipe Albert (Colin Firth) viva em um contexto histórico diferente do de Nina (Natalie Portman), ambos enfrentam terríveis conflitos internos, que se refletem externamente. Nele, através de uma gagueira incontrolável, que insiste em devastar os seus compromissos profissionais. Nela, por meio de um perfeccionismo que beira a loucura e a impede de agir como uma moça da sua idade.

Além de explorarem o mesmo mote – os conflitos da alma – O discurso do rei e Cisne Negro são desenvolvidos de maneira bastante parecida. Isso porque Nina, assim como Albert, identifica o problema que a acomete, e se engaja numa luta interna para combatê-lo.

Travada a batalha dos personagens, cujo resultado cabe a você, leitor, descobrir na sala de cinema mais próxima, percebe-se a última semelhança. Ambas as obras apresentam, em seus respectivos desfechos, o clímax de suas histórias. Tanto a sequência final de Cisne Negro quanto a de O discurso do rei fazem com que o público torça incansavelmente por seus protagonistas, como se sentisse na pele os momentos de tensão e expectativa destes. O resultado final, lógico, é nada menos do que brilhante.

Há ainda outra similaridade entre as duas produções. Esta, no entanto, ainda não pôde ser vista. Mas creio que poderá, nessa noite. Tanto O discurso do rei quanto Cisne Negro terão os seus protagonistas premiados no 83º Oscar. Essa, pelo menos, é a minha aposta!

Nina (Natalie Portman), em "Cisne Negro"

 

Albert (Colin Firth) em "O discurso do rei"

16
fev
11

Retratar é viver?

Viver é amar e odiar. Viver é insistir no mesmo erro, seja ele uma pessoa ou um simples capricho. Viver é arriscar e ponderar, errar e acertar, cair e levantar. Viver é uma escolha que fazemos diariamente. Retratar a vida é uma paixão que muitos de nós decidimos nutrir. É, portanto, a minha escolha, a minha paixão.

O mecanismo e o formato não importam. Escrever, fotografar, representar através de cenas ou sequências. A essência de um bom retrato é sempre a mesma. Tanto uma foto quanto um texto podem chocar, emocionar, ridicularizar ou enaltecer.

Acredito piamente que viver é, acima de tudo, ver-se nos olhos dos outros.  Para isso, é preciso sentir o outro, se colocar no lugar dele. Retratar vidas foi a maneira que escolhi para atingir esse objetivo.

Nesse blog, retratarei pessoas e tudo que as envolvem. Trarei tanto trabalhos antigos – desde que atuais, logicamente – quanto textos recém saídos do forno. Seja bem-vindo (a)!

Viver é acumular retratos. Por isso, retratar é viver!

 

Fotografia: uma de minhas paixões




Raphael Moroz (o bloggeiro)

Jornalista (por formação) apaixonado por cinema, televisão, literatura e fotografia. E por pessoas, de todas as cores, tamanhos e nacionalidades.

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